História do Antigo Testamento


O Antigo Testamento cobre milhares de anos de história. O objetivo deste tópico é proporcionar uma visão panorâmica dessa história, trazendo assim uma melhor compreensão dos fatos registrados nos livros sagrados antigos. Quando lê-se o livro de Ester é quase impossível ter idéia de quando os fatos ali narrados ocorreram, visto que o livro não traz pormenores acerca do seu contexto histórico e o pouco que traz está dissimulado atrás de nomes alternativos, que de outra forma poderia estabelecer uma correlação com algum outro livro ou fato. O rei Assuero, que aparece na narrativa inicial do livro de Ester, não aparece com este nome em nenhum outro lugar do Antigo Testamento, muito embora seja mencionado em outros textos.

 

Assim, é imprescindível um conhecimento básico da história do Antigo Testamento. Um dos meios mais práticos de obteremos este conhecimento panorâmico do Velho Testamento é o estudo das Dispensações, ou melhor, das cinco primeiras dispensações, visto que as outras duas já estão localizadas no Novo Testamento. Quais são as dispensações que cobrem o período do Antigo Testamento? São elas: Inocência, Consciência, Governo Humano, Promessa e Lei. As duas outras, Graça e Milênio estão relacionadas ao tempo presente, o tempo da Igreja ou dos gentios e ao final dos tempos, no reino messiânico sobre a terra.

 

Todas as dispensações apresentam um programa que é basicamente o seguinte:

a. Uma revelação da vontade de Deus para o homem

b. O juízo divino sobre a desobediência a esta revelação

 

Inocência: Gênesis 1.1-3.24

 

Este pode ser o maior dos períodos do Antigo Testamento ainda que compreenda apenas os três primeiros capítulos de Gênesis, desde a Criação até a queda Adão. O período histórico é extenso principalmente pelo fato da crença quase que universal que os dias da criação não eram dias comuns, mas sim eras de milhares e milhares de anos, conforme subentendido pelo significado hebraico do vocábulo “YOM”, dia. Este é um fato que pode ser comprovado até mesmo no próprio Gênesis, se comparamos Gn. 2.4 com o capítulo 1. 1.

 

A determinação divina neste período para o homem, no caso Adão era: Não comerás do fruto da árvore da vida. O juízo seria: Porque no dia em que dela comerdes, certamente morrerás.” Além disso, Adão fora posto no jardim com o propósito de lavrar a terra e cuidar do jardim (Gn. 2.15) e, implicitamente, cuidar de sua família, composta até este instante dele e de sua esposa. Mas Adão desobedeceu as determinações divinas e o resultado foi a sua expulsão do paraíso, do jardim do Éden. As consequências do seu ato foram funestas, tanto para si, como para toda a raça humana.

 

Os principais fatos deste período são:

 

a. Criação do universo

b. Criação da terra e dos animais

c. Criação do homem

d. Instituição do matrimônio e da família

e. O primeiro pecado: Queda do homem

f. A primeira promessa messiânica: a semente da mulher

g. Instituição dos sacrifícios expiatórios

h. Maldição da serpente, da mulher, do homem e da terra.

 

Consciência: Gênesis: 4-8

 

Tendo agora consciência do pecado e do mal que ele representava, coube ao homem escolher entre o bem e o mal. Ao seu lado ele tinha sua consciência que acusava-o o aprovava-o em suas atitudes. Mas o resultado era de se esperar: longe de Deus, o gênero humano mergulhou num profundo processo de degradação moral, a ponto da própria linhagem santa se misturar com os pecadores. Diante do quadro de total depravação humana Deus anuncia o Dilúvio e chama a Noé. O juízo se deu na forma do Dilúvio e a vida que havia no seco foi varrida da face da terra. Somente Noé e sua família foram tidos por dignos de serem poupados.

 

Os principais fatos da Consciência são:

 

a. O primeiro homicídio

b. O primeiro polígamo

c. A corrupção do gênero humano

d. A separação de uma família

e. O dilúvio: as primeiras chuvas

 

O Governo Humano: Gn. 9-11

 

Com Noé Deus estabelece um novo pacto, no qual cabia ao homem espalhar-se sobre a face da terra, habitá-la, dominá-la e multiplicar-se nela; uma clara repetição dos primeiros propósitos revelados a Adão. Deus cooperaria com o homem, no sentido de que haveria nos animais o pavor do homem e assim o homem não seria dizimado pelas feras, que certamente haveria de proliferar-se rapidamente nesta nova fase do mundo.

 

Estabelece-se a pena capital para os crimes de sangue, sendo que ao homem foi dado autoridade para vingar a morte de alguém, ferindo da mesma forma ao agressor. Mais uma vez o homem falhou no cumprimento das prescrições divinas e o juízo se fêz manifestar na confusão das línguas de Babel. Este juízo provocou a dispersão da raça humana pela terra e assim surgiram as nações antigas do mundo.

 

Os destaques deste período foram:

 

a. O pacto noaico

b. A instituição da pena capital

b. Babel: desobediência e juízo

 

 

Promessa: Gênesis 12-50

 

Deus criou um homem à sua imagem, reto e este falhou. Deus recomeça seu plano de redenção da humanidade separando uma família, a de Noé, o homem falha novamente. Uma terceira tentativa é feita por Deus. Desta vez, comprometido com o pacto noaico, Deus não pode enviar um outro Dilúvio, muito embora a terra estivesse em situações semelhantes e um tanto pior, visto que após o Dilúvio formaram-se as religiões idólatras. Assim, uma nova etapa da redenção começa: Deus agora elege, segundo a graça, um homem, Abrão e o chama para fora do mar de corrupção em que vivia. Deste homem Deus que formar uma nação sacerdotal com propósitos especiais. Abrão sai de Ur dos Caldeus apenas impulsionado por uma palavra vaga, que exigia dele toda a sua fé: “Vai para a terra que eu te mostrarei.” A promessa para a obediência era enorme e de alcance mundial (Gn. 12.1-3). Abrão passa pelos testes que lhe são impostos da parte de Deus e é aprovado. Assim ele recebe a promessa da terra de Canaã para a sua semente. O único inconveniente era que a sua semente seria peregrina em terra estranha, onde sofreria os revezes da escravidão. Tudo isto, porém, com propósitos definidos.

 

Na Promessa temos como fatos mais importantes:

 

a. Abraão: o canal de benção para o mundo

b. Nasce o povo da redenção: da semente da mulher, da semente de Abrão.

c. A promessa da terra

d. Formação do povo: primeira parte

 

A Lei: Êxodo a Malaquias

 

Esta dispensação é a mais rica em fatos e elementos, bem como em informações. O povo de Israel, que havia descido ao Egito com 70 almas, tornou-se uma grande nação, capaz agora de subjugar os cananeus que estavam na terra da promessa. Esta nação, porém, não conhecia o seu Deus perfeitamente (Êx. 6.3) e agora Deus chama um outro homem, Moisés, preparado de sob sua especial supervisão para libertar o seu povo, o povo da redenção, da escravidão egípcia. Este homem, preparado para ser um Faraó detinha certamente capacidade suficiente para a realização da empreita que lhe seria confiada, porém, apenas a formação humana e secular era insuficiente e ele necessitou de mais uma etapa de aprendizado, no deserto, onde encontrou-se com o Senhor face a face.

 

A primeira parte da formação do povo estava completa. A nação judaica, tendo como tutora uma das maiores nações do mundo da época, estava pronta para passar à segunda fase do processo de formação. Eles eram um povo, mas ainda não tinham leis, não tinham líder, não tinham terra e, principalmente, não tinham um sistema padronizado de culto como as demais nações, apesar de idólatras, possuíam. Moisés foi o grande líder levantado por Deus, mediante quem Ele entregou ao povo de Israel as Leis que viriam regulamentar sua vida espiritual, moral e civil. Estas leis foram ensinadas ao povo enquanto estavam marchando para Canaã e, uma vez, lá estaria concluído o processo de formação do povo da redenção, o povo de Deus.

 

Israel em Canaã

 

Uma vez na terra prometida por Deus este povo passou por etapas diversas. Um resumo histórico deste período é o seguinte:

 

a. O período das conquistas: sucessos e fracassos

 

O fracasso de Israel em Canaã se deu por causa da desobediência do povo na subjugação dos cananeus. Deus havia feito advertências quanto às consequências que se seguiriam se estes povos não fossem completamente exterminados. Os cananeus fizeram errar a Israel, e com isto muitos infortúnios sobrevieram à jovem nação. Israel somente foi derrotado em momentos que se encontrava longe do seu Deus, doutra forma nenhum inimigo susteve diante dele.

 

b. O período dos juízes: anarquia, opressão e livramento

 

Estes personagens, dentre os quais temos alguns famosos como Sansão, eram os chamados SHOPHETIM. Estes homens eram mais que árbitros, constituindo-se em libertadores do povo, defensores de uma causa, responsáveis muitas vezes pela soberania da nação judaica. Eram líderes que acumulavam funções civis e muitas vezes também funções religiosas, como no caso de Samuel. Carismaticamente dotados pelo Espírito Santo para reger a nação em tempos de crise. O termo “juízes” é usado em escritos antigos dos cananeus como um sinônimo de rei.

 

O período regido por estes homens compreende o espaço de tempo entre a morte de Josué e a subida de Saul ao trono. Estes primeiros 300 anos na terra prometida foram uma alternância de opressão e livramento. Um período de grandes proezas. Agora que se achava em sua terra, a nação carecia de um governo forte. Era uma confederação de tribos independentes sem nenhum elemento unificador, exceto o seu Deus. O próprio livro de Juízes, que herda o seu nome destes personagens, afirma que “…nåo havia rei em Israel e cada um fazia o que parecia bom aos seus próprios olhos…”. Enfim, uma anarquia, muito embora diga-se que tratava-se de uma Teocracia. E na realidade deveria ser, se o povo levasse Deus a sério.

 

c. A fase de transição sob Samuel

 

A transição da Teocracia para a Monarquia em Israel se deu durante o tempo em que Eli e Samuel atuaram como Juízes. As condições do povo não mudara praticamente nada desde o tempo dos últimos Juízes, seja no aspecto social ou espiritual. O povo ainda continuava debaixo da opressão estrangeira e desta vez eram os filisteus que estavam às fronteiras do país ameaçando a soberania nacional.

 

O culto cananeu ainda permeava fortemente a vida religiosa do povo fazendo-o cair cada vez mais longe de Deus. Consequentemente estavam sofrendo as consequências de seus atos na forma da opressão da Filístia e aridez espiritual.

 

Neste contexto surgiu Eli, o qual centralizou a vida espiritual em Silo, onde estava o Tabernáculo. Porém, sendo fraco na liderança e tendo falhado na educação de seus filhos, os quais o sucederam no sacerdócio, perdeu o respeito das tribos, que murmuravam constantemente contra os atos irreverentes dos filhos do juíz.

 

Na velhice de Eli, quando já parecia que a sorte do povo era ficar debaixo da liderança corrupta de seus filhos, entra em cena Samuel. Filho de Elcana e Ana, foi consagrado ao Senhor pela sua mãe, a qual era estéril e orou insistentemente ao Senhor pela sua cura. Samuel, desde sua meninice, demonstrou sensibilidade a voz de Deus e cedo foi comissionado a advertir Eli de sua sorte.

 

O clímax deste período foi a derrota de Israel para os filisteus. O povo se tornara místico em sua relação com Deus e acreditavam que a simples presença da arca poderia livrá-los da derrota. mas Deus não se vende e os israelitas, além de sofrerem terrível derrota, tiveram a arca capturada pelos inimigos. Os dois filhos de Eli foram mortos na batalha. Chegada a notícia à Eli, estava este assentado à porta. Ouvindo-a, caiu para trás e, quebrando o pescoço, pereceu. findava laconicamente o juizado de Eli.

 

Samuel, desde os primeiros dias, incentivou o povo e conseguiu que abandonassem a influência religiosa cananéia. A grande diferença entre Samuel e os demais Juízes, é que este conseguiu dar ao povo uma certa unidade e as escaramuças envolvendo as tribos, mui comuns no livro dos Juízes, desapareceram quase que completamente. Desta unidade surgiram vitórias importantes de Israel contra os seus inimigos principais, os filisteus.

 

Os israelitas, ainda sob certa influência dos vizinhos ao redor, começaram a manifestar o desejo de tornarem-se uma monarquia. Isto fica bem claro no texto de I Sm. 8.1-4. Diversas razões foram apresentadas pelos líderes do povo para justificar este desejo. O primeiro e que de certa forma era justo era o fato de que, Samuel estando já velho nomeara seus filhos em seu lugar. Seus filhos, porém, a exemplo dos filhos de Eli, tornaram-se corruptos, não seguindo o bom exemplo de seu pai. Além disto, o povo desejava ser como as demais nações vizinhas, as quais todas eram lideradas por um rei. Edom, descendente de Esaú já tivera reis antes de mesmo de Israel de tornar um povo.

 

A atitude do povo desagradou a Samuel, não pelo fato de rejeitarem a seus filhos, mas sim esta atitude caracterizava a rejeição do governo teocrático. Eles desejavam um rei para que este os liderasse nas batalhas, mas Deus não fizera isto tantas vezes no passado? Mas como o povo recusou-se a ouvir Samuel, que expôs claramente tudo o que um rei exigiria do povo, este obedeceu a Deus e determinou-lhes um rei.

Cronologia do período dos Juízes
Juíz Opressor Governou
Otniel Mesopotâmios 40
Eúde Moabitas 80
  Amonitas Amalequitas  
Débora, Baraque Cananeus 40
Gideão Midianitas 40
  Amalequitas  
Abimeleque Amonitas 3
Tola   23
Jair   22
Jefté    6
Ibsã   7
Elom    
Abdom    8
Sansão Filisteus 20

 

d. O reino unido

 

Saul, o primeiro rei de Israel

 

Um rei de acordo com o coração do povo e não segundo o coração de Deus, reunindo as qualidades que um povo deseja ver em seu líder. Saul teve um início muito bom, sendo ungido por Samuel e tomando posse em seguida. Consolidou seu reino e derrotou alguns dos principais inimigos de Israel. Poderia ser um bom rei, apesar de não ser o propósito divino que houvesse rei em Israel, mas seu coração impenitente e mundano o destruiu.

 

A sua queda começou quando atreveu-se a ministrar o serviço religioso , exclusividade do sacerdote. Ele estava em Gilgal e uma batalha contra os filisteus estava em andamento. Saul aguardava a Samuel, que apontara o prazo de sete dias para chegar. Ao ver homens de seus exército debandaram por causa do medo, ele mesmo tomou animais e ofereceu holocaustos. Foi duramente repreendido por Samuel e numa outra demonstração de seu coração mau, afrontou o homem de Deus. Samuel usou a capa que lhe fora rasgada por Saul, como uma parábola afirmando que a mesma sorte teria o reino de Saul. Porém, Saul continuou como rei em Israel depois deste incidente.

 

O episódio que marcou a rejeição final de Saul por Deus, foi a guerra contra os amalequitas. As ordens de Deus à Saul foram claras: destruir completamente os amalequitas, desde os animais até aos velhos, ninguém deveria escapar. Seria uma forma de juízo contra a atitude dos amalequitas no deserto, quando atacaram o povo em marcha para Canaã.

 

Saul, temendo o povo e demonstrando um coração ambicioso, não destruiu o rebanhos e poupou a Agague. Chegando da batalha Samuel saiu a encontrar-lhe e repreendeu-o pela desobediência e rebelião contra Deus e anunciou o fim de seu reinado e a eleição de outro rei, escolhido por Deus.

 

Saul chegou ao ponto mais baixo, quando depois da morte de Samuel, estando desesperado diante da batalha iminente com velhos inimigos filisteus, consultou uma quiromante na esperança de poder falar com Samuel. Este é um dos episódios que geram polêmica nas Escrituras. Quem falou com Saul foi realmente Samuel? A maioria acredita que não e tratava-se de um espírito enganador. Isto pode ser confirmado fazendo uma análise cuidadosa das palavras do falso Samuel. As predições que falou não se cumpriram exatamente da forma como afirmou.

 

Nesta mesma batalha Saul e três de seus filhos morreram. Findava assim, de maneira trágica e triste o reinado de Saul.

 

Davi, o maior rei de Israel

 

Ainda antes da morte de Saul, Davi já fora sido ungido rei de Israel. Tornou-se imensamente popular quando derrotou Golias, o gigante, pondo em fuga os exércitos filisteus. Isso gerou profunda inveja no rejeitado Saul que por muitas vezes tentou matar Davi.

 

Perseguido por Saul, Davi fugiu para as terras vizinhas de Israel, tendo vivido muito tempo entre os filisteus, onde muitos homens, quatrocentos a princípio e seiscentos ao final, o seguiam. Este tempo entre os filisteus, apesar da amargura e tristeza que provocava o exílio, foi benéfico para Davi. Ali teve a oportunidade de aprender a arte de fabricar armas de ferro, as quais Israel não possuía e por isso não conseguia subjugar os filisteus, que há muito usavam armas e carros ferrados.

 

Com a morte de Saul, Israel passou a ser governado por Isbosete e a tribo de Judá e Benjamim eram governadas por Davi.  Passar-se-iam sete anos e meio antes que Israel fosse unificado.

Os primeiros sete anos e meio do reino de Davi teve como capital Hebrom e contava somente com a tribo de Judá e Benjamin, enquanto Isbosete, filho de Saul reinava em Gibeá. Um período marcado por intrigas políticas e guerra civil que culminou com a unificação total de Israel nas mãos de Davi. Este período de unificação durou aproximadamente 73 anos e dois reis se destacaram: Davi e Salomão.

 

Uma vez unificado o reino, Davi sentiu a necessidade de uma capital segura já que Gibeá fora destruída ainda mais por ter sido a capital do reino de Saul, estando entre os benjamitas. O lugar escolhido foi Jerusalém, a qual estava, desde o tempo da conquista nas mãos dos cananeus. Estes zombaram de Davi, confiados que estavam na inexpugnabilidade de Jerusalém, característica que chamou a atenção de Davi. Mas os cananeus não contavam com a esperteza e sagacidade dos homens de Davi que conseguiram encontrar um ponto falho e entraram na cidade. A partir daí Jerusalém ficou conhecida como a cidade de Davi.

 

Em Jerusalém, Davi estabeleceu uma capital quase que impossível de ser invadida e que veio a tornar-se o centro, não só da vida nacional, mas também da vida religiosa do povo de Israel. Esta cidade tornou-se o alvo dos principais conquistadores e a ela se prenderam com intenso ardor os judeus de todos os tempos. Uma das cidade mais antigas do mundo e porque não dizer, uma das mais disputadas.

 

Nos quarenta anos do governo davídico, o estado israelense atingiu o apogeu de sua existência, não havendo outro tempo igual na história judaica. Este império tornou grande em todos os aspectos. Territorialmente falando, este reinado e o reinado seguinte, de Salomão, foram os únicos reinados em que Israel esteve assentado no total dos territórios prometidos a Abraão e para além das fronteiras da promessa. O império israelense estendia-se desde o rio do Egito até as regiões do rio Eufrates, do Mediterrâneo até a região dalém do Jordão, onde estavam as tribos de Rúben, Gade e a meia tribo de Manassés.

 

Davi não somente estendeu  reino mas também estruturou e fortaleceu sobremaneira o estado israelense, estabelecendo guarnições nas terras conquistadas dos filisteus, edomitas e sírios, além de submeter outros povos, os quais eram subservientes e pagavam tributo à Israel. A conquista e dominação de Edom foi importantíssima visto que garantiu ao exército hebreu fontes abundantes de ferro e cobre, para a confecção de armas.

 

O reinado davídico experimentou alguns momento de crise, os quais tiveram como causa comum o adultério e crime do monarca. As consequências do erro de Davi foram imediatas e a longo prazo. De imediato perdeu a criança gerada no adultério com Betseba e a longo prazo, trouxe sobre sua família a espada e contenda. O primeiro sinal do juízo estabelecido pelo profeta Natã, foi a sublevação de Absalão, que tentou usurpar o reino de  seu pai e isto sem falar do incesto de Amnon com Tamar, sua irmã. Absalão matou a Amnon por esta causa.

 

Mas Davi, mesmo depois de intensa humilhação, tendo que fugir de Jerusalém às pressas, sendo insultado pelo caminho, conseguiu restabelecer seu reino e Absalão foi morto. Um outro período de crise foi o censo desnecessário, motivado pelo orgulho de Davi. Deus enviou juízo sobre o povo e milhares morreram e quando o anjo já estava para destruir Jerusalém, foi contido por Deus.

 

O Templo de Salomão, o mais belo construído pelos judeus, foi todo elaborado por Davi, sob orientação divina. Tudo o que era necessário para a contrução do templo, desde a planta até os materiais foram providenciados por Davi. Embora tivesse tudo pronto, Deus não permitiu que ele levantasse o templo, sua missão era outra, um homem de guerra e que derramou muito sangue. Foi-lhe prometido que seu filho, um filho de paz, haveria de construir o templo. Um fato curioso quanto ao filho que erigiu o templo é que este foi Salomão, o filho que Davi teve com Betseba, que fora mulher de Urias.

 

Chegando ao fim de seu reinado em boa velhice, Davi entregou o seu trono à Salomão, que herdou um império estruturado e consolidado. O seu reinado é descrito como um reinado que sem fim, vinculando-o ao Messias, que, por promessa divina, haveria de vir de sua família, chamado nos dias de seu ministério terreno de “o filho de Davi”.

 

 

Salomão, o filho da paz

 

Filho de Betseba, Salomão tinha características completamente diferentes de seu pai. Desde sua confirmação no trono mostrou ser um homem de coração compromissado com Deus e com o povo que haveria de dirigir. A sua falta de ambição material revelou-se no desejo expresso a Deus quando pediu sabedoria para governar. O resultado foi que Deus além de fazer dele o homem mais sábio do mundo, segundo as Escrituras, fê-lo também o mais rico.

 

A sabedoria de Salomão tornou-se célebre e famosa e muitas pessoa ilustres e importantes vinham de longas distâncias ouvir suas palavras. Deixou-nos alguns escritos importantes, tais como os Provérbios, alguns salmos, Eclesiastes e Cantares, todos livros de poesia hebraica; além de outros trabalhos que não foram preservados.

 

A riqueza em dias chegou a tal ponto que a prata, metal semiprecioso na época, chegou ser reputada como pedra. Seus navios iam de ano em ano buscar um tipo de ouro, cuja pureza se tornou proverbial nas Escrituras, o ouro fino de Ofir.

 

Salomão não empreender conquistas, cuidando apenas da manutenção do reino estabelecido por Davi. Sua obra mais importante foi a construção do templo do Senhor em Jerusalém, um dos edifícios mais suntuosos que se tem notícia. Ali ofereceu ao Senhor milhares de sacrifícios e consumou sua relação o Deus de Israel. Motivou todo o povo a seguir os mandamentos divinos, sendo um grande influenciador do povo.

 

Enquanto Davi manteve o império através da força, Salomão fê-lo através de alianças políticas, as quais podem ser claramente observadas no número de mulheres que possuía.  Os casamentos eram usados para celebrar e ratificar alianças entre reinos. Mas isto acabou selando a sorte de Salomão.

 

As mulheres de Salomão eram provenientes de todos os povos em redor, todos idólatras. Logo a influência destas pagãs se fizeram sentir em Israel e muitos altares a deuses estranhos foram erigidos por todo Israel. Salomão fêz o povo desviar dos caminhos de Deus, prostituindo-se com ídolos abomináveis.

 

O resultado foi o princípio da queda do maior império que Israel possuiu ao longo dos anos. Esta queda se deu com a ruptura dos reinos do sul e do norte, devido à grande opressão experimentada pelo povo nos últimos dias do governo de Salomão. Roboão, seu filho, que haveria de assumir o reino não soube administrar a situação. Tendo tudo para apaziguar a nação e empreender um nova etapa no reino israelita, preferiu seguir os conselhos de jovens amigos, deixando de lado o conselho dos anciãos. A ruptura foi inevitável.

 

e. O reino dividido

Depois de 120 anos o reino unido chegava ao seu fim. De agora em diante dois reinos se instauram. O reino norte, chamado Israel, foi constituído de 10 tribos e o reino do sul, Judá, duas tribos, a saber, Judá e Benjamim, as quais permaneceram fiéis à casa de Davi. O reino do Norte durou cerca de 200 anos e foi destruído pela Assíria. O reino do Sul permaneceu um pouco mais de tempo, 300 anos e foi destruído pela Babilônia.

 

Um aspecto logo distingue os dois reinos e refere-se ao aspecto religioso. O reino do Norte se corrompeu pela influência religiosa de Jeroboão, cuja atitude havia de servir de parâmetro para a análise de outros após si, dos quais dizia-se “…andaram nos caminhos de Jeroboão…”. Jerusalém ficou nos territórios de Judá e isto fêz com que Jeroboão temesse que os israelitas, indo ao templo para adorar, fossem levados à passarem para o reino de Judá. Jeroboão, pois, estabeleceu dois novos centros religiosos, Betel e Dã. Nestes centros religiosos adotou a adoração ao bezerro de ouro. Este foi o pecado que fêz desviar o reino do norte dos caminhos de Deus.

 

Posteriormente o reino do norte foi influenciado por Jezabel que instituiu o culto a Baal, que foi destruído por Elias depois de trinta nos de prática, para nunca mais aparecer no reino do norte.

 

Já no reino do sul prevaleceu uma inconstância religiosa alternando reis fiéis e infiéis a Deus. Muitas reformas religiosas foram levadas a efeito por alguns deles, como por exemplo Asa, Ezequias, Josias, etc.. As consequências, tanto para com para o outro reino se fizeram sentir na forma de juízos enviados por Deus. Estes juízos normalmente se davam na forma de opressão estrangeira, tal qual nos dias dos juízes.

 

A partir deste período, a cronologia bíblica passa a ter maior exatidão. A precisão das datas do reino unido tem elevado índice de realidade devido a um fato básico: o relacionamento de Israel e Judá com outras nações, geralmente guerras. A cronologia assíria e babilônica servem de parâmetro para se precisar alguns eventos em Canaã.  A Arqueologia tem descobertos inúmeros artefatos, colunas, que evidenciam a presença israelita na Babilônia e outros lugares mencionado no texto sagrado. Sabe-se através dela que reis de Israel e Judá pagaram tributos à Assíria, Egito, etc.., bem como derrotaram ou foram derrotados em batalhas, das quais restaram crônicas, inscrições, etc…

 

Datas importantes

 

Divisão do reino:  931 a.C.

Queda de Israel: 722 a.C.( traçada de acordo com a cronologia assíria)

Queda de Judá : 586 a.C.

 

Como visto acima, a cronologia do reino dividido é bem precisada a partir de cronologias de nações contemporâneas deste período. Veja o capítulo II.

 

f. O reino do norte: cativeiro assírio e desaparecimento

 

a. Causa

 

A causa do cativeiro assírio e da conseqüente queda do reino do norte está intimamente ligada a vida espiritual de Israel. II Re. 17 narra os pormenores da derrocada israelita. Ali encontramos descritas, em palavras divinas, todos os pecados do povo (II Re. 17.7-23).

b. Duração

 

A grande diferença entre os dois cativeiros é que o reino do sul haveria de retornar após determinado tempo, mas Israel estava sendo espalhado para nunca mais se ajuntar. As dez tribos jamais voltariam a constituir um reino, nem mesmo ao lado de Judá.

 

c. Consequências

 

Uma das consequências da queda de Israel foi a ocupação de seus territórios por outros povos. Isto se deu por duas razões básicas: primeiro porque a política assíria quanto aos povos conquistados era a deportação e substituição dos ocupantes da terra por outros de origem distante. Com isto os assírios conseguiam diminuir as rebeliões e extinguir o amor à terra natal. Muito embora esta estratégia fosse eficiente, as dez tribos mostraram o quanto haviam perdido a visão pois não vemos em nenhum momento uma tentativa de retorno. O povo era realmente mal e ímpio e as promessas divinas há muito haviam sido esquecidas.

 

Uma outra consequência foi o surgimentos dos “samaritanos”. No NT podemos encontrar mais de uma referência ao antagonismo que havia entre judeus e samaritanos. Estes eram desprezados pelos judeus pelo fato de não guardarem os mandamentos divinos quanto aos casamentos mistos. Os poucos que permaneceram na terra ou fugiram dos assírios voltaram e misturam-se com os povos estrangeiros deixados para ocupar Canaã.

 

Este foi o fim do reino do norte. O reino do Sul ainda permaneceria por mais algumas décadas antes experimentar algo semelhante, mas com consequências completamente diferentes.

 

 

g. O reino do sul: cativeiro babilônico

 

O reino de Judá também terminou em cativeiro, mas a natureza deste cativeiro foi completamente diferente do cativeiro imposto ao reino do norte pelos assírios.

 

a. Causa

 

As causas do cativeiro babilônico foram semelhantes ao cativeiro assírio. Uma das causas foi a não observância, por parte do povo, dos anos sabáticos depois que entraram em Canaã. Foram 490 anos nos quais a terra não descansou das atividades. Neste período 70 anos sabáticos não foram observados. Deus afirma então que deixaria o povo 70 anos na Babilônia para que a terra descansasse:

 

E toda esta terra virá a ser uma desolação e um espanto; e estas nações servirão ao rei de Babilônia setenta anos.

Jr. 25.11

 

b. Duração

 

Conforme o versículo anterior, sabemos que o cativeiro na Babilônia durou setenta anos (Dn. 9.1,2). Este tempo foi usado por Deus para alguns propósitos definidos:

 

1. Juízo

 

Em primeiro lugar o cativeiro foi um juízo sobre o povo por causa de sua infidelidade. Muito embora as lideranças fossem as responsáveis pela introdução dos cultos idólatras, na realidade suas atitudes revelavam o caráter do povo, o qual era propenso à idolatria. Devemos lembrar também que os reis não eram as únicas autoridades sobre o povo. Haviam ainda os sacerdotes e os profetas, os quais advertia e ensinavam ao povo as leis de Deus. Quando um rei impunha um culto idólatra este era bem recebido e não rechaçado pelo povo. Mas eles não sabiam a lei? Não tinham os sacerdotes e profetas? Por quê se encurvavam aos ídolos? Logo podemos concluir que a responsabilidade era geral e o juízo cabia a todos.

 

2. O descanso da terra

 

Sabemos também que este tempo seria um tempo de descanso para a terra. Aqui começamos a ver que Deus nunca executa juízos simplesmente punitivos. Estaria Ele preocupado somente com a terra, a ponto de punir o povo com duro juízo como este? Evidentemente que não. Acontece que se a terra não fosse administrada como Deus determinou o resultado seria o desaparecimento da terra que “manava leite e mel”. Após a Diáspora judaica no 70 d.C., a Palestina ficou a mercê dos povos conquistadores e ao longo dos séculos tornou-se a desertificação atingiu grande parte de sua área. Atualmente os judeus tem tido enorme sucesso em recuperar o solo, tendo desenvolvido um dos melhores sistemas de irrigação do mundo.

 

3. Proteção do povo

 

O terceiro e último propósito divino no cativeiro pode ser lido no livro de Ezequiel capítulo 12.15,16:

 

“Assim saberão que eu sou o Senhor, quando eu os dispersar entre as nações e os espalhar entre os países.  Mas deles deixarei ficar alguns poucos, escapos da espada, da fome, e da peste, para que confessem todas as suas abominações entre as nações para onde forem; e saberão que eu sou o Senhor.”

 

Mesmo o fato do povo ser levado cativo revela propósitos divinos: no meio da angústia se voltariam para o Senhor arrependidos dos seus pecados e abominações, então o Senhor poderia operar e restaurá-los novamente a sorte de antigamente. Ainda falando de cativeiro, na Babilônia o povo foi preservado de maiores catástrofes. Com a queda dos reinos do sul e norte, a Palestina tornou-se alvo de disputas entre nações asiáticas e do norte da África, no caso o Egito. A proposta de Nabucodonosor não era violenta, a não ser que não se submetessem ao seu poder.

 

c. Consequências

 

O cativeiro babilônico trouxe profundas consequências sobre os judeus, algumas tão profundas que haveriam de marcar a vida dos cativos séculos afora. Estas consequências afetaram a vida social e espiritual dos filhos de Israel. Modificaram hábitos religiosos e alimentares.

 

1. Consequências na vida espiritual

 

O aspecto espiritual foi o mais afetado pelo cativeiro. A vida religiosa dos judeus girava em torno das cerimônias do templo, orgulho do povo, símbolo e centro absoluto de suas devoções. Tão forte era a atração do templo e a importância do mesmo na vida religiosa dos judeus que Jeroboão, por ocasião da divisão do reino procurou desviar o povo do culto de Jerusalém temendo perdê-los.

 

Com a destruição em 586 a.C., simplesmente ruiu toda a estrutura religiosa do povo. Eles não tinham a menor consciência do que fazer sem o templo, já que fato semelhante jamais ocorrera. É quase impossível conseguir entender um judeu em território estranho, sem condições de praticar a religião que estava acostumado, tendo que alimentar-se de forma estranha e com alimentos considerados imundos e sem meios para prover a purificação daqueles que lhes era permitido utilizar.  O choque sem dúvida alguma foi muito grande.

 

Mas os cativos revelaram uma capacidade de adaptação surpreendentes e, quando se pensava que o seu destino seria semelhante aos do reino do norte, este povo deu uma lição de amor à sua terra e às leis divinas.

 

O culto

 

Já que o templo e os sacrifícios estavam irremediavelmente destruídos, os judeus se voltaram para outro sustentáculo de sua religião, sustentáculo este que, se observado anteriormente poderia ter evitado triste fim de ambos os reinos. A Lei passou agora a ser o centro da vida de todo o cativo. As observância dos mandamentos substituiu de forma absoluta os sacrifícios e rituais do templo de Jerusalém. As tradições judaicas, tão conhecidas atualmente e que se encontram em diversas obras históricas como a Mishná, o Midrash, o Sidur, o Talmude, o Targum, etc…começaram a desenvolver em forma de tradição oral neste período e foram compiladas durante os primeiros séculos da Diáspora.

 

Mas se a Lei emergira como o centro da vida espiritual judaica como substituta dos rituais sagrados, que fazer quanto ao templo, o centro de reuniões? Era necessário que houvesse um local para o estudo, leitura da Lei. Surgem então as sinagogas, que se tornarão de agora em diante o principal local de culto judaico.

 

A esta religião, nascida no cativeiro, baseada na Lei, que tinha como centro as sinagogas, cujo líder não mais era o sacerdote e sim o rabino ou o escriba, designou-se JUDAÍSMO. Esta religião espalhou-se por todo o Crescente Fértil, Ásia, Europa, África, etc… Uma religião cuja principal marca era a inflexibilidade e intolerância contra os costumes pagãos. Os judeus só conseguiram sobreviver durante tanto tempo longe da sua terra, principalmente na Diáspora pelo apego fanático à sua religião e tradições. Sem estas teriam sido assimilados nas culturas por onde passaram.

 

2. Consequências na vida social

 

A vida social dos judeus alterou-se profundamente a partir do momento que não tiveram como limitar seu contato com os gentios, tendo de viver lado a lado com eles. Muitos costumes antigos perderam-se, quanto à roupas, aparência pessoal, etc… Quando chegamos aos tempos de Jesus encontramos judeus ortodoxos, representados pela sua classe principal, os fariseus, e judeus helenizados, cuja classe dominadora eram os saduceus. Os fariseus foram um “produto” do cativeiro, enquanto os saduceus foram um “produto” da dominação greco-romana na Palestina.

 

Mas no cativeiro os judeus haveriam de realizar feitos notáveis que influenciariam os reinos onde estiveram cativos de duas formas diferentes.

 

a. Influência sobre os principais impérios da terra

 

No cativeiro, os judeus; de agora em diante assim designados por pertencerem à tribo de Judá a maior parte dos que retornaram do cativeiro; influenciaram muito a sociedade babilônica. A princípio, os que ali chegaram receberam novos nomes de acordo com as deidades babilônicas, mas aos poucos se impuseram e alguns alcançaram posições elevadas na corte babilônica. Exemplos desta influência podemos ver em Daniel(Belsazar), Ananias (Sadraque), Mizael (Mesaque) e a Azarias(Abdenego). Daniel chegou a ser terceiro no comando da Babilônia. Certamente os judeus gozaram de imensos privilégios tendo líderes na corte babilônica, os quais podiam então lutar contra as leis anti-judaicas, evitando retaliações contra o povo. Um exemplo claro de um líder judeu que salvou o seu povo foi Ester no reino persa.

 

b. Influência sobre a vida religiosa dos povos

 

A influência dos judeus na corte não foi unicamente política, mas principalmente religiosa. Nabucodonosor, Dario, Artaxerxes, Assuero; os grandes líderes dos impérios que dominaram o mundo de então, tiveram contato com o Deus dos judeus e alguns o serviram.  Outros foram por ele repreendidos e escreveram decretos nos quais foi estabelecida a adoração do Senhor na Babilônia e na Pérsia.

 

Além do alto escalão, a sociedade comum destes impérios também foram influenciadas positivamente. A História da Igreja aponta três povos como instrumentos de Deus na preparação mundo: romanos, gregos e JUDEUS. A contribuição dos judeus se deu de diversas formas, a saber:

* Velho Testamento

* Monoteísmo

* Filosofia da História

* Sinagogas

* Vida moral

* Esperança messiânica

 

Destas seis formas o povo do cativeiro influenciou a sociedade onde estavam. O Velho Testamento era a revelação de Deus, aliás, a única revelação digna de confiança que uma deidade deixara aos seus seguidores. O Velho Testamento viria a  constituir-se no principal livro da Igreja Cristã. Os povos em geral eram idólatras e as religiões da época caiam cada dia mais em descrédito sendo um dos fatores de corrupção moral da sociedade, não trazendo nada que preenchesse os corações famintos. Contra esta religião imoral e desacreditada, baseada na multidão de ídolos, os judeus ofereciam o monoteísmo ético, propondo a crença num Deus que atuava de fato na vida dos homens, controlando a história e exigindo destes compromisso moral. A moral elevada dos judeus exerciam forte atração sobre os pagãos.

 

Um outro aspecto da religião judaica que se formou neste período era a intensa esperança pelo Messias, o Salvador. Esta esperança era passada para todos os que mantinham relações com judeus. Isto ganha um aspecto ainda mais importante quando lemos as palavras de Platão, um dos principais filósofos gregos, que declarou: “Precisamos de um homem que nos faça desviar dos nossos erros e nos guie para a verdade.”  Muito embora estas palavras fossem pronunciadas em outro lugar e outro tempo, a influência judaica que viria a oferecer uma resposta para esta esperança filosófica já começara a ser espalhada no império babilônico.

 

Os últimos quatro reis davídicos que reinaram em Jerusalém viram o desvanecimento final e a aparente derrocada da promessa divina que não faltaria a Davi varão que assentasse sobre o seu trono”. Mas a promessa tinha uma condicionante e esta estava ligada à fidelidade destes monarcas a Deus. Como eles não guardaram a palavra de Deus, ele os entregou nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia.

 

Como vimos, o cativeiro babilônico se deu por etapas, sendo que as três primeiras foram as principais.  Na página seguinte está a cronologia do império babilônico, onde você pode observar estas etapas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cronologia do Cativeiro Babilônico
DATA JUDÁ BABILÔNIA MÉDIA-PÉRSIA EGITO
639 Josias     Neco
    Nabopolassar   Psamético
626 Jeoacaz     Apries
  Jeoaquim      
609   Nabucodonosor   Amasis
605 Primeira deportação

Daniel e seus amigos

Batalha de Carquêmis

Egito derrotado

   
597 Joaquim

Segunda deportação

     
  Zedequias      
594        
588        
586 Terceira deportação

Jerusalém destruída

Evil-Merodaque Ciro  
568   Neriglissar    
562        
560        
559        
556   Nabonido

(Belsazar)

Queda de Babilônia

Cambises

Dario

 
539 Edito de retorno dos judeus      
530        
522 Zorobabel      
  Ageu      
  Zacarias      
515 Templo terminado   Xerxes  
      Ester  
      Artaxerxes  
485        
479        
464        
457 Esdras   Dario II  
      Artaxerxes II  
444 Neemias      
423        
404        

 

 

Líderes que surgiram no cativeiro

 

Nenhum líder se formou no cativeiro, exceto a partir da segunda metade dos setenta anos, quando Esdras, Neemias e Zorobabel se destacaram na liderança do povo. Estes líderes tiveram papel importante na restauração e reconstrução do reino e do templo, após o cativeiro, e mesmo durante o tempo em que este ocorreu.

 

a. Esdras, sacerdote e escriba – um reformador

 

Após aqueda do reino babilônico em 538 a.C., o rei Ciro vem trazer libertação, permitindo o regresso dos judeus à sua pátria e ordenando a reconstrução do templo de Jerusalém. Quando depois de quarenta anos de exílio, o povo regressa ao seu país, lentamente e em grupos isolados, a dinastia de Davi não se instaura no poder. Jerusalém e o templo reconstruído convertem-se no centro de restauração que impõe a primazia do princípio espiritual sobre o material. Daqui em diante, o mais alto sacerdote de Jerusalém, como sumo sacerdote, ocupará o lugar do rei. Judéia é agora o nome da terra dos filhos de Israel, a qual converte-se numa república teocrática.

 

Com Esdras realiza-se a renovação da aliança com Deus. Foi este sacerdote enviado de Babilônia que convocou a primeira “grande assembléia” de anciãos, que originou mais tarde o SINÉDRIO ou CONSELHO SUPREMO. Foi também Esdras que proclamou a TORÁH, a Lei de Moisés, como constituição. A lei sagrada, que abarcava todos os campos da vida cotidiana, impôs-se obrigatoriamente a todo o povo. a submissão a esta lei identificava um judeu, em qualquer lugar do mundo como pertencente ao país de Israel e à comunidade do templo. Jerusalém é o centro religioso e a Judéia o centro nacional para os judeus espalhados por todo o império romano. Assim é que podemos compreender fatos como o registrado em At. 2, onde judeus de vários pontos do império acham-se em Jerusalém, participando da festa do Pentecostes.

 

b. Neemias, líder agressivo – o governador

 

Este foi sem dúvida uma das personalidades mais expressivas da era pós-exílica, servindo ao povo de Deus desde o ano de 444 a.C. Ocupava uma posição de honra na corte persa, posição esta da qual abdicou a fim de poder voltar a Jerusalém, onde exerceu notável liderança. Esdras já estava em Jerusalém por treze anos quando Neemias chegou. Aquele era um erudito, escriba e mestre, enquanto este demonstrou habilidade e capacidade na liderança, tanto em questões civis como políticas. O ministério de Esdras pode desenvolver-se tranquilamente devido à administração eficaz de Neemias, quanto aos assuntos que perturbavam Israel, ou seja, segurança diante dos inimigos que a todo custo queriam impedir o trabalho de reconstrução.

 

Uma cronologia básica dos dias Neemias é a seguinte:

 

444 a.C. – Recebe a permissão de ir para Jerusalém.

432 a.C. – Neemias retorna à Pérsia.

 

Não se sabe quanto tempo permaneceu ele na Pérsia após o retorno, nem por quanto tempo governou Jerusalém posteriormente. Sabe-se, porém, que não ficou na corte e retornou á terra de seus pais, onde morreu.

c. Zorobabel

 

Descendente de Davi, retornou com o grupo principal de exilados em 537 a.C. e lançou os fundamentos do templo. Esdras registra que o trabalho foi impedido de continuar até o ano 520 a.C., quando foi reiniciado e quando Zorobabel e Josué surgiram outra vez como líderes do povo. Neste período atuaram os profetas Ageu e Zacarias, chamados profetas da restauração. Em Ag. 1.1 e 2.2 podemos encontrar a afirmação de que Zorobabel era o governador de Judá.

 

Além destes líderes civis e religiosos, outra figura importante deste período foi a figura do profeta. Os profetas, mensageiros de Deus, atuaram em todas as fases da história de Israel, antes, durante e depois do exílio. Vamos ver quais foram os principais profetas deste período:

 

Profetas do exílio

 

São dois os profetas principais deste período:

 

a. Daniel

 

Daniel foi levado para o cativeiro logo na primeira leva para a Babilônia, onde permaneceu como líder influente, não somente na corte babilônica, mas também na persa, que substituiu o reino caldeu. Alcançou destaque tão grande que é mencionado até mesmo pelo próprio Ezequiel, contemporâneo seu no cativeiro. Este profeta exerceu todo o seu ministério na corte, ocupando posição elevada. o que certamente facilitava a vida dos judeus nos impérios babilônico e persa.

 

b. Ezequiel

 

Outro profeta de extrema importância deste período foi Ezequiel. Contrário ao seu contemporâneo este viveu entre os exilados, sofrendo com eles as mesmas privações e angústias. Ezequiel pregava constantemente aos exilados mensagens cujo assunto principal era a vida espiritual do povo de Israel. Enquanto Daniel tinha visões de cunho global, onde as nações eram vistas como poderes a se combater no mundo, Ezequiel tem uma visão local, centralizada nos eventos relacionados à Israel.

 

Profetas pós-exílicos

 

Após o exílio três profetas destacam-se no seu ministério, Ageu, Zacarias e Malaquias, os quais exerceram o seu ministério já na Judéia, recém nomeada. Os dois primeiros atuaram durante a vida de Esdras e sob o governo de Zorobabel e como já visto anteriormente, são chamados profetas da restauração por atuarem nos dias da reconstrução da cidade e do templo. Podemos encontrar nos seus escritos exortações severas ao povo que, tendo construído as suas casas abandonaram as obras do templo. Malaquias por sua vez atuou nos dias de Neemias e sua mensagem estava voltada à hipocrisia e infidelidade do povo, bem como ao desprezo dos sacerdotes pelo seu ministério no templo.

 

Estes foram os últimos profetas antes do período de 434 anos sem nenhuma revelação divina, denominado Período Interbíblico. Neste tempo muitas mudanças assolaram o mundo até então conhecido, na forma de novos impérios, impérios estes que viriam atingir a Palestina e, consequentemente, os judeus que haviam retornado e reconstruído o estado judeu.

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