Profetas Maiores


São assim designados Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, tomando-se como base a extensão do seu ministério e o conteúdo de suas pregações. Alguns destes profetas tiveram ministérios extensos e uma grande influência sobre a nação hebraica nos seus piores momentos, já próximo que estava o juízo de Deus na forma do cativeiro. Ezequiel e Daniel souberam muito bem o que foi este período já que estavam juntos com o povo em terras estrangeiras. A literatura contida nos escritos dos profetas em geral descreve os dias tenebrosos da nação israelita.

ISAÍAS: Hb. “Jeová é salvação”

Tema: O profeta messiânico

 Data: 760 a.C.

 Isaías é o maior dos profetas. A posição que lhe foi dada no cânon faz jus pela distinção e sublimidade de suas revelações e de seu estilo. Este profeta, que começou o seu ministério muito jovem, entre os vinte e trinta anos, nasceu e foi educado em Jerusalém, sendo de família aristocrática e ligada por parentesco à família real.  O seu ministério estendeu-se pelos reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, e nos seus dias, Israel, o reino do norte, foi levado cativo pela Assíria. Tempos difíceis e ele quase viu a mesma Judá ser também arrebatada pelas nações estrangeiras.

O mais eloqüente de todos os profetas, é também o mais citado no NT, sendo considerando o “quinto evangelho”, dadas o grande número de profecias messiânicas que vaticinou.

O fim principal de suas profecias é lançar em rosto aos judeus sua infidelidade e anunciar-lhes os castigos de Deus, com a final redenção, consumada pelo Messias. Fala com tanta clareza de Jesus Cristo e de sua Igreja, que, conforme Jerônimo, mais parece evangelista que profeta. O próprio Salvador aplicou a si muitas profecias de Isaías, e os evangelistas e apóstolos citam várias vezes o cumprimento delas em Jesus Cristo.

O livro pode ser dividido em duas partes:

1. Primeira parte: 1-37

1.1 – Introdução:  1-6

1.2 – Profecias do tempo de Acaz: 7-12

1.3 – Profecias contra nações estrangeiras: 13-27

1.4 – Profecias do tempo de Ezequias: 28-37

2. Segunda parte: 38-66

2.1 – Exílio na Babilônia: 38-40

2.2 – Os libertadores temporal e espiritual: Ciro e Cristo: 40-48

2.3 – O Messias sofredor: 49-57

2.4 – O reino messiânico: 58-66

JEREMIAS: Hb. “Jeová estabelece”

Tema: O último esforço para salvar Jerusalém

Data: 629 a.C.

Jeremias é o profeta que melhor nos dá a conhecer, através de seus escritos, sua personalidade e sua época. Viveu em tempos calamitosos. Nascido em Anatote, cidade sacerdotal situada ao norte de Jerusalém, nos fins do reinado de Manassés. Desde criança Jeremias sentiu horror pelas abominações de Amon (643-642 a.C.).

Iniciou seu ministério aproximadamente aos vinte anos, décimo terceiro ano do rei Josias (628 a.C.), permanecendo na obscuridade por muito tempo. Começa a destacar-se após a morte deste rei e seu ministério adquiriu importância capital no reinado de Joaquim. Na corte real predominava o partido que pregava a aliança com o Egito como meio de livrarem-se da ameaça babilônica. Jeremias, indo contra o pensamento geral, pregava a vitória dos caldeus e a destruição da cidade de Jerusalém, afirmando ainda que aqueles que se sujeitassem ao rei caldeu nada sofreriam. Por muito pouco não foi assassinado e muitas vezes foi até mesmo agredido fisicamente.

O livro das profecias de Jeremias alternas os vaticínios de seus quarenta anos de ministério com numerosas notícias históricas que ilustram e confirmam suas profecias. Não segue uma ordem cronológica, mas lógica, que vai gradualmente explanando as ameaças e execuções da justiça divina contra o povo eleito e contra os gentios.

EZEQUIEL: Hb. “fortaleza de Deus”

Tema: “Todos saberão que eu sou Deus”

Data: 595 a.C.

Ezequiel é o terceiro dos quatro profetas chamados “maiores”.    Era filho de Buzi e pertencia à estirpe sacerdotal.    Foi levado cativo para Babilônia, onde profetizou durante vinte anos, ao mesmo tempo que Jeremias profetizava em Jerusalém.

Durante todo o seu exílio, o profeta foi o guia moral do seu povo, que fora levado para o desterro.    Os anciãos reuniam-se com freqüência na casa de Ezequiel que, como sacerdote e profeta, especialmente pelo seu grande espírito, gozava da máxima autoridade entre eles.    O profeta sempre se ocupou em lembrar, aos judeus deportados, como Deus é fiel em cumprir não só as promessas, mas também os castigos.

Parece ter sido ele mesmo quem coordenou, em forma de livro, as profecias; é por isso que, as profecias de Ezequias se nos apresentam em ordem lógica e cronológica.

Depois de se ter referido à sua vocação, o profeta descreve a tomada de Jerusalém pelos Caldeus, com todas as circunstâncias horrorosas que a acompanharam, o cativeiro das dez tribos e da tribo de Judá, e todos os rigores da justiça de Deus contra o seu povo infiel. Em seguida, apresenta aos judeus motivos de consolação, prometendo-lhes que Deus os havia de tirar do cativeiro, e havia de restabelecer Jerusalém, o seu templo e o Reino de Israel, figura do Reino do Messias.  Prediz a vocação dos gentios e o estabelecimento da Igreja e o reino do supremo pastor, Jesus Cristo de cujo batismo e ressurreição fala de um modo misterioso.

Pelo argumento, o livro pode ser dividido em duas partes:

1. O profeta anuncia tremendos castigos de Deus contra o provo eleito (3-24), contra as nações idólatras (25-32). Depois no prólogo (1-3), no qual o profeta narra a sua vocação, anuncia com símbolos e com palavras a queda irreparável de Jerusalém e suas conseqüências.    Finalmente, prediz a destruição de outras nações pagãs (Amonitas, Moabitas, Idumeus, Filisteus e Egípcios): 1-32

2. Há também um prólogo (33), no qual se narra como foi renovada a consagração do profeta, e publicada a notícia da queda de Jerusalém.    Passa, depois, imediatamente às profecias de consolação para Israel.    Aparecem antes as profecias da restauração e da futura glória de Israel (34-39); finalmente é feita a descrição do reino messiânico, o novo reino de Israel (40-48): 33-48.

DANIEL: Hb. “Deus é meu juíz”

Tema: O profeta da Babilônia

Data: 607 a.C.

Daniel é o quarto e último dos profetas maiores. Era da tribo de Judá e descendente de Davi. Jovem ainda, foi levado cativo para Babilônia por Nabucodonosor, que o escolheu, junto com outros jovens judeus, para o seu serviço. Gozou sempre de um prestígio extraordinário perante os reis de Babilônia, graças ao seu talento, às suas profecias e aos milagres que Deus operou por seu intermédio. É célebre a profecia messiânica de Daniel das setenta semanas de anos (cap. 9). Morreu este profeta com 88 anos de idade, no fim do reinado de Ciro, depois de ter conseguido dele um edito que permitia aos judeus voltarem a Jerusalém, e reedificarem a cidade e o templo. O livro de Daniel divide-se em duas partes bem distintas, seguidas de um apêndice:

1. História: O sonho da estátua (2); os três jovens na fornalha (3); o sonho da árvore e a doença de Nabucodonosor (4); o convite de Baltasar (5); Daniel na cova dos leões (6).

2. Profética: A visão dos quatro animais;    A visão do carneiro e do bode;    A visão das setenta semanas de anos;    A visão das lutas entre a Síria e o Egito, e de Antíoco como tipo do Anticristo (7-12).